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MANIFESTO DOS SEM-TELA |
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Sem-tela são os cineastas brasileiros sem espaço no circuito comercial e sem-tela é o público, uns por pouco dinheiro, outros por pouca opção. Portanto, não há sentido em produzir cinema brasileiro com dinheiro público se ele não pode ser visto pelo povo brasileiro. O cinema brasileiro vive um certo ressurgimento numa pluralidade de estilos e temáticas, discutindo a contemporaneidade e re(vê) lendo nossa história. O que é mais contraditório neste processo é que a quase totalidade desta produção, contou com considerável aporte de recursos públicos advindos de renúncia fiscal, via leis de incentivo à cultura. Entretanto, a maioria da população brasileira, financiadora dessa produção, na condição de contribuinte, tem acesso restrito a esses filmes, que afora mostras e festivais, raramente consegue espaço em salas comerciais. O movimento Sem-Tela é uma espécie de usina de projetos. Alguns deles via leis de incentivo à cultura, outras em parceria com prefeituras, empresas, ONG's, associações comunitárias, entre outras. O movimento conta ainda com a adesão de realizadores de várias regiões do país que acreditam na causa da democratização do cinema. É preciso que se tome consciência que a cota de tela não é a solução. Pode-se impor a permanência do filme brasileiro, mas isto não significa sucesso de público. O cinema brasileiro precisa é de "cota de público", fatias de mercado e investimentos que favoreçam a formação de platéias. Precisa levar a escola para o cinema, o cinema para a escola, praças, ruas, velas de embarcações, paredes de edifícios, de igreja, muros de cemitérios, barriga de boi, barriga de gente, enfim pro olho da rua. |
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